quinta-feira, 22 de julho de 2010

LEIA, É RAPIDINHO....

Se o título que pus nesse texto te atraiu, cuidado, você é um cidadão vítima do maior vício que a humanidade tem sofrido nos últimos tempos: a presa.

Eu estava aqui, fazendo nada, e como toda e qualquer pessoa que tem um blog e que estão com a cabeça fervendo, decidi escrever uma prosa com o mais justo dos títulos de prosa. Meus dedos começaram a tremerem porque minha memória e consciência estavam borbulhando, então decidi escrever algumas coisas que eu estava pensando comigo mesmo.

Sei que aqui não é o Twitter, mas devo me manifestar, já que não o faço aqui há bastante tempo. Estava pensando acerca da tecnologia, as coisas modernas, quantos avanços a ciência tem alcançado em todos os ramos do conhecimento humano, quanto à falta de tempo que nós temos sofrido nos últimos século. Apesar de ser algo que já foi previsto por Jesus Cristo há século, tem sido algo que as tecnologias mais modernas não têm conseguido evitar . Por mais que corramos, ultimamente não temos tempo para quase nada. Corremos, comemos, andamos, nos vestimos, andamos em veículos silenciosos e rápidos, porém, quanto mais rápido estamos, menos tempo temos, o que nos faz refletir ainda mais sobre essa tal tecnologia que nos "facilita a vida".

Carros rápidos, email, dowload, PCs, JGVYWX 395, e muitas outras siglas que o léxico de nossa bem desenvolvida língua possa suportar, nos prometem encurtamento de tempo, o máximo possível. A palavra da vez é "rapidez". O produto no mercado que tenha a maior capacidade de nos oferecer tal qualidade, esse é o lucrativo. Prova disso, é o mui planejado e querido "trem bala", que está as vésperas de ser instalado em nosso país, é na verdade um ícone dessa sociedade pós-moderna (gosto de falar isso, parece inteligente).

Algo interessante, é pensar como essa mesma sociedade que corre, em máquinas poderossissímas está sempre atrasada, ou mesmo, cheia de coisas pra fazer. Na verdade, a presa da humanidade tem feito ela se esquecer das coisas boas da vida, de como é bom olhar para o mundo e ver as coisas boas. de como o mundo é cheio de beleza, criadas justamente para nosso deleite.... A presa tem feito o homem esquecer-se de seu semelhante, de ver que além dele, há outras pessoas no mundo. Sem dúvidas, o bom da vida é viver bem e ver os outros bem também. Pense nisso....

Agora pode ir atrás do que você estava, com presa, procurando....

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ferreira Gullar e o prêmio Camões


Na última segunda-feira, dia 31 de Maio, a diretora do Instituto Camões de Literatura, Gabriela Canavilhas, anunciou como vencedor do Prêmio Camões de Literatura o poeta e critico de arte maranhense Ferreira Gullar. O prêmio é uma espécie de prêmio nóbel da literatura de língua portuguesa atribuído aqueles que enriqueceram a literatura lusófona com suas obras literárias.


O prêmio foi atribuído a Gullar pelo conjunto da obra, que é constituída por inúmeros ensaios de critica de arte, poemas, crônicas, literatura infanto-juvenil, além de peças de teatro, telenovelas. O maior valor, para a academia lisófona, da literatura de Gullar é o seu carater político e revelador, sem deixar de mão uma forte dose de estética e força.


Na literatura, especificamente na poesia, Ferreira Gullar tem uma vasta e já consagrada obra, constituída por Um pouco Acima do Chão, Muitas vozes, Barulhos, Poema sujo, Na Vertigem do dia, Dentro da Noitre Veloz entre outros. Tais livros são um complexo expressivo de um eu-lírico que tem tanta expressão, que uma só forma de código não lhe é suficiente. A obra de Gullar é marcada por intensas mudanças, as vezes espantosas que podem ser traduzidas como um eu-lírico desesperado para falar, mas que nunca é ouvido, um eu-lírico cheio de vida e planos bons para seu povo, mas que nunca é ouvido, e que portanto, tem que mudar seu código para sempre tentar ser compreendido.


Como todos sabem, Ferreira Gullar é maranhense, uma dessas muitas pérolas que saem daqui e fazem a literatura de nosso país ser única e cheia de vida. Sem dúvidas Ferreira Gullar merece muitos outros prêmios, dado seu valor artístico e literário que é agudo e cheio de uma vivaz e intensa força expressiva, o poeta sente a aflição de seu povo e de suas dificuldades e cresce junto com ele. Em suas próprias palavras: " Meu povoi e meu poema crescem juntos, como cresce o fruto na árvore nova"

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Projeto Meu primeiro emprego – Apoio social ou mordaça nos jovens?

Um fenômeno azul tomou conta da cidade de São Luís, ou ainda de outras cidades do Maranhão. Em todas as paradas de ônibus da cidade, jovens trajados de um uniforme azul com uma estampa branca onde está escrito “Viva programa meu primeiro emprego”, esperam, as vezes ansiosos, com medo do atraso, pelo ônibus que os levarão em direção ao centro ou ao São Francisco, bairros onde estão conglomerados de lojas e butiques da Ilha. São todos jovens recém formados do segundo grau (ou até mesmo de algum curso de graduação) ávidos por uma vaga de emprego no então competitivo mercado de trabalho.

O programa do governo do estado em parceria com muitas empresas comerciais de São Luís, está fazendo muito sucesso no Estado. Os mentores desse programa defendem que o jovem, ao ser inserido pela primeira vez no mercado de trabalho, tem maior chance de ingressar nele. O programa consiste em dar vagas de emprego dentro do mercado (lojas, papelarias entre outros estabelecimento comerciais) para aqueles jovens que não conseguem vaga nele.

O programa, desde o último governo, foi extinto, mas agora volta com força total. Alguns, como eu, relacionam essa repentina ascensão do programa às aproximações do pleito eleitoral. Obviamente que no discurso de nossos políticos, ou grupo, isso é mera coincidência. Além desses fatos, algumas perguntas seriam importantes na análise desse fenômeno azul:

a)esse programa existe desde o último governo de Roseana Sarney, por quê foi extinto? b) Por quê só agora, depois do golpe das últimas eleições o governo tem condições de mantê-lo? c) No último governo do deposto Jackson Lago, a então senadora da república, e atualmente governadora do Estado, Roseana Sarney, não proporcionou apoio financeiro ou político a Jackson para implantar programas sociais, Porquê só agora Roseana decidiu implantar esse programa, uma vez que ela ama o Maranhão com toda a força de seu coração, d) e por fim, será que esses jovens, contemplados pelo programa, no momento da eleição, não levarão em conta esse “beneficio” “promovido” pela então governadora, futura candidata ao cargo (mais uma vez) Roseana Sarney?

Um certo professor meu diz uma frase muito sabia: “ Jovem tem que protestar, sem o protesto, o jovem não é jovem, Jovem nunca fica satisfeito”. A tal frase de meu professor, traduziria perfeitamente os jovens de sua época que, sem dúvidas, eram bem mais consciente do que os de hoje (ele tem mais ou menos cinqüenta anos). Esses, por sua vez, dado o presente contexto em que nos encontramos, perderam essa característica naturalmente importante para a evolução social e econômica de uma sociedade. Programas como o primeiro emprego são utilizados como um amortecedores da ira natural dos jovens. Os maiores e importantes protestos que aconteceram na história do Brasil e do mundo, foram proporcionados pelos jovens. Com esse programa, o jovem perde o foco em sua formação superior ou técnica, o que seria um ganho para um grupo que não precisa, muito menos quer, pessoas pensantes, uma vez que o conhecimento liberta os homens das algemas da ideologia. É triste ver jovens, muitas vezes inteligentes (todos são), que por falta de uma orientação voltada para a reflexão da vida e da sociedade tem que se submeter a programas amortecedores como esses.

Cabe as pessoas que tem um mínimo de consciência, usarem seus poderes comunicativos para desmascarar esse plano que tem por fim a permanência eterna de um poder que tem trazido miséria e desigualdade por um longo tempo da história de nossa sociedade.

Apesar de não pertencer ao partido socialista maranhense, digo:

“Só a luta muda a vida”

segunda-feira, 22 de março de 2010

PRESO [LIVRE]

Eu, aqui em meu quarto,
Preso no mais livre cosmos universal,
E enquanto a cidade grita, pânica, por meu nome:
Meus pensamentos não saeem de você.
Se eu quisesse ser livre, não o seria,
Porque você, meu ódio, meu amor,
É como grude solto nas garras da liberdade;
É como um suor de letras que vertem de meu coração
E que caeem, secas em meu papel.
Molhadas pelos sentimentos mais absurdamente vazios.

Enquanto a cidade grita meu nome, eu sussurro o seu.
Enquanto você movimenta-se em meu imaginário,
Eu paro, movimentando-me a seu encontro.
Na porta de meu quarto, a consciência me chama
Para a dura realidade mole e (des)sentida
Fresca e calorenta dos opostos.

sexta-feira, 19 de março de 2010

São Luís no prisma Gullariano


"O homem está na cidade como uma coisa está em outra e a cidade está no homem que está em outra cidade.
mas variados são os modos como uma coisa está em outra coisa:o homem, por exemplo, não está na cidade nem como uma árvore está em qualquer uma de suas folhas"
(Ferreira Gullar - Poema Sujo)



Recentemente o autor maranhense Ferreira Gullar foi um dos principais homenageados da II Feira do Livro de São Luís. Dados esse fato, meses antes do inicio do evento, na internet havia inúmeras enquetes que questionavam sobre a escolha do maranhense para a homenagem. Porém, um outro que chamou a atenção foi a percepção do desconhecimento geral da obra de Gullar por parte dos maranhenses, pois, mensagens do tipo :" Para que escolher Gullar, ele não é maranhense" ou " Na obra de Ferreira Gullar não há uma menção à cidade de São Luís" proliferavam nessas enquetes. Frases como essas deixam qualquer um, amante da obra de Gullar, de cabelos em pé. Um outro espanto foi perceber que alguns se intitulavam estudantes dos cursos de Letras, mas que na prática, pouco sabiam, ou quase nada, sobre Ferreira Gullar e sua relação com São Luís.
Dados esses fatos, esse texto vem trazer alguns aspectos importantes sobre Ferreira Gullar, bem como de sua obra. Na verdade, José de Ribamar Ferreira , Verdadeiro nome do poeta, é Ludovicense, toda a sua formação inicial artistica é influenciada do Maranhão, visto que esta é um terra de grandes talentos poéticos.
Ferreira Gullar estudou no colégio Liceu Maranhense e no antigo CEFET, agora IFMA; viveu no Maranhão até alançar a idade adulta. Foi para o Rio de Janeiro devido a seu grande talento como autor teatral e de suas concepções políticas.

Desde moço Ferreira Gullar já anunciava que seria um gradiosissimo poeta. Participou de muitos concursos de poesia, onde quase sempre ganhava. Uma curiosidade é que seu primeiro Livro " Um poco acima do chão" em que já demonstrava muito talento, apesar de o próprio poeta achar que não, é fruto de um concuro em que ele ganhou em primeiro lugar, o prêmio seria a publicação de um livro, dai surgiu seu primeiro trabalho, dois anos antes de ele ir para o Rio de Janeiro.

Gullar sempre apresentou a cidade de São Luís com muito esmero. Há inúmeros estudiosos, muitos deles consagrados como o Humberto Eco, que atestam que a cidade de São Luís jamais saiu dos temas abordados na poesia Gullariana. Para esses autores, a cidade de São Luís, é um espaço buscado angustiadamente no eu lírico gullariano, a angústia da separação, das distâncias sempre aparecem nos temas abordados pelo poeta, São Luís aparece no cosmos gullariano como a musa intocável da segunda fase do romantismo, a Deusa Afrodite, bela e implausível com seu contornos de esmeralda, a Istalingrado Brasileira, como ele mesmo escreve São Luís em seu mais conhecido poema. Tendo em vista as concepções esquerdistas do poeta, São Luís ser comparada a Istalingrado é um grande elogio, visto que Istalingrado é a Meca dos esquerdistas.

Em um trecho de Poema Sujo , Gullar confunde-se com a própria cidade, diz que nele habita a plenitude do espaço "saoluisense":

"Mas sobretudo meu corpo nordestino mais que isso maranhense mais que isso sanluisense mais que isso ferreirense newtoniense alzirense" (grifo meu)


Nesse trecho fica bem claro esse eterno amor por São Luís. Ao logo de todo o poema, a lembrança da cidade amada é amarrada a seu tempo de criança, boas e saborosas cenas sempre acontecem em São Luís do Maranhão, independênte se ele estivesse na Argentina, França ou Chile, países onde ele ficou exilado durante a ditadura. Outra imagem atrelada a São Luís é a da figura do pai , de quem o poeta sempre faz menção.


Mesmo com as poucas provas aqui demonstradas,( para mais, consultar a obra do poeta) é de se crer que são suficientes para mostrar o quanto a cidade de São Luís mora no coração e na poesia de Ferreira Gullar. O mito de que São Luís não existe para Ferreira Gullar com certeza cai como uma bomba para o poeta, pior até que a bomba suja que como visto aqui, ama a cidade mesmo longe.

GULLAR, Ferreira. Poema sujo. Rio de Janeiro: circulo do livro, 2000.

MACEDO, Diogo Andrade de. Traços estilísticos de Ferreira Gullar em Poema Sujo, 1976. Disponível em << http://www.mafua.ufsc.br/diogo.html>> acesso dia 19/03/2010.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ferreira Gullar e a questão da arte vanguardista




Nos últimos tempos, são muitas as polêmicas acerca da posição do crítico de arte e poeta Ferreira Gullar acerca da arte contemporânea: para Gullar, a arte dita de vanguarda é uma arte sem fundamentos, ou nem pode ser chamada de arte. Para tanto, ele toma como exemplo a primeira "obra" considerada de arte vanguardista, ou conceitual, (como se auto declaram os seguidores desse movimento) "A fonte" de Marcel Ducampt que é um urinol esmaltado comprado em uma loja de materiais de construção, que em 1917 foi enviado pelo artista a um concurso de arte nos Estados Unidos, onde foi rejeitado pelo júri, contudo, essa peça fez surgir algumas teorias de cunho psicanalísta, que afirmavam que o urinol seria a representação, mediante a forma, do útero humano, e que ao urinar, o homem tem em mente essa forma, pensamentos claro que só os psicanalístas tem.

Sobre a obra, Ferreira gullar questiona a validade universal dela, pois nesse tipo de arte (Ready-made), há a negação da própria arte, do método artistico, da criação artística feita de método. Para os fundadores desse movimento, a arte deveria ser fruto de um trabalho psíquico e não de algum esforço conceitual, ou de estudos centristas. O dadaísmo ( tronco central do Ready-made) pregava a anarquia da arte, os objetos deveriam ser pêgos de seus lugares de costume, ou onde tem menos valor, para serem levados aos museus e assim, receberem o valor de arte. Esse tipo de comportamento seria uma critica à arte, que para eles, não tem valor em si, mas sim nas instituições que a financeia. Ferreira Gullar questiona esse ponto de vista pois para o poeta, a arte tem sim seu valor restrito ao próprio objeto, e não nas instituições, para ele, a a partir do momento que um objeto é tirado de seu lugar de costume e ser posto em um museu como obra de arte, ele só será arte naquele museu, e não será arte em um outro lugar, o que vem de encontro com a questão universal da arte, levando em conta essa traço característico dela. mas tarde, Ducampt vem admitir que tudo que ele disesse que é arte, seria arte, mostrando o real sentido desse movimento, que era dizer que quem faz a arte somos nós, nós é que ditamos o que será arte e o que não vai ser, sendo assim, um urinol, uma par ou qualquer objeto poderia ser tão arte quanto qualquer quadro pintado por Michellangelo ou Picasso.

Muitos dos seguidores desse movimento acusam Ferreira Gullar de cuspir no prato que ele havia comido, pois o poeta maranhense já escreveu muitas poesias de cunho concretista, a manifestação dadaística da literatura, pois a poesia concretista tinha como fundamento principal a subversão da forma de escrever literatura. Em contra partida Gullar se defende dizendo que essa foi mais uma de suas experiências que ele teve e que não conseguiu suportar o peso de suas mensagens, pois os limites da poesia concretista são pequenos e que não conseguem suster uma mensagem mais profunda. No que eu concordo em número e grau.

Se levarmos em conta a cultura dadaística e sua principal mensagem ( anarquia na arte, confusão, no sense a toda a prova) não poderemos esperar de seu comportamento artístico algo que possa comentar. Para Gullar, a arte vanguardista acabou caindo naquilo que ela mais fugia, que é a institucionalização da arte, um vez que quem diz o que é arte ou não é um museu, quem diz quem é o artista, mais uma vez é um museu, e não a arte do museu.
O que devo antes dizer que Ferreira Gullar é sempre muito sério em suas colocações, dizer que a vanguarda e sua arte não é o que se pretende, é para poucos. E por essas e outras que Ferreira Gullar será sempre respeitado em um campo que ele domina como poucos no Brasil. Seus conceitos estão sempre embasado em muitos fatos concretos e fortes, até mesmo um de seus fiascos mais famosos, aqui nos referindo ao poema enterrado, Ferreira Gullar arrebentou.
Até a próxima e saudações gullarianas

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Poesia cortante

Introduzo na poesia a palavra peste
Muita mais que sede, muito mais que água
A poesia, meu rapaz, é como espada
Que fere e mata
Que vive e farta
Que junta e aparta
Que move e alastra
Vida,
Força,
Fulgor,
E um pouco de amor.
Se engana quem pensa que essa espada
São só palavras bonitas,
Doces para encantar a namorada,
A poesia é como faca
Que fere e mata
Que vive e farta
Que junta e aparta
Que move e alastra
Ódio,
Fome,
Medo
E ideologia
A poesia, meu rapaz, são para os fortes,
Os trabalhadores, os escultores,
Os senhores, os servos, porque a poesia
É como unha afiada
Fere e mata
Vive e farta
Junta e aparta
Move e alastra
Amor
Entra pernas e sabores,
Entre Mendigos e doutores,
Entre meninos e meninas
Ou tudo igual,
A poesia, meu jovem,
É má, não é boa
Salva, não desperdiça....